Por que o sabiá-laranjeira canta de madrugada em SP? Pesquisa da USP busca resposta com ajuda de escolas da cidade

Por
3 Min

Projeto apoiado pelo Instituto Serrapilheira abre inscrições para alunos do ensino fundamental investigarem a ave-símbolo do Brasil​
Escolas públicas e privadas da cidade de São Paulo podem se inscrever para participar do projeto “A que horas o sabiá-laranjeira canta?”, coordenado pela bióloga Ana Paula Assis, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP), com apoio do Instituto Serrapilheira. A iniciativa envolve estudantes do Ensino Fundamental II na coleta de dados sobre o horário de canto do sabiá-laranjeira em diferentes regiões da capital. As escolas interessadas em participar do próximo ciclo do projeto precisam preencher um formulário no site do Projeto Sabiá: www.projetosabia.ib.usp.br.​
Resultados preliminares da fase piloto já chamaram a atenção dos pesquisadores. Em áreas próximas a regiões de mata, o sabiá-laranjeira costuma começar a cantar por volta das 5h da manhã, perto do amanhecer. Já em regiões mais urbanizadas, esse horário é antecipado para as primeiras horas da madrugada. Em um dos casos mais extremos registrados até agora, em um ponto de coleta próximo à Avenida Paulista, um sabiá-laranjeira foi ouvido cantando durante toda a noite, sem interrupções. A observação reforça uma das hipóteses da pesquisa: o ruído urbano altera de forma significativa os horários em que a espécie vocaliza.​

“Em locais com muito ruído, o sabiá parece não ter mais uma janela silenciosa para cantar”, afirma Ana Paula Assis. Na prática, ele precisa competir com o barulho o tempo todo. Quando um pássaro que costumava cantar em períodos específicos passa a cantar a noite inteira, isso sugere um nível extremo de adaptação ao ambiente urbano.”​
Outro resultado preliminar também chamou a atenção da equipe. Em um ponto de coleta em Paraisópolis, os gravadores não registraram o canto de nenhuma espécie durante o período monitorado. O dado ainda será investigado, mas pode indicar uma relação entre baixa cobertura vegetal e redução da atividade de pássaros em determinadas áreas da cidade.​
“São Paulo tem quase 500 espécies de aves descritas dentro da cidade. Não ouvir nenhuma cantando pela manhã é algo que merece atenção”, diz a pesquisadora.​
Projeto Sabiá: www.projetosabia.ib.usp.br


Notícias Relacionadas »