Podas de arvores em Pinheiros voltam ao centro de debates entre moradores, entidades e poder público
A preservação da arborização urbana voltou a mobilizar moradores de Pinheiros e Alto de Pinheiros nas últimas semanas. Dois episódios distintos — a suspensão do corte de árvores em frente à Igreja Presbiteriana de Pinheiros e as críticas à poda realizada no Bosque do Largo da Batata — reacenderam o debate sobre os critérios adotados para o manejo da vegetação na região.
Igreja Presbiteriana
No Alto de Pinheiros, a Igreja Presbiteriana de Pinheiros obteve autorização da Prefeitura para a remoção de duas árvores na Avenida Dra. Ruth Cardoso, como parte das obras de adequação do acesso ao futuro templo que será construído no local. Segundo a instituição, as espécies são exóticas, apresentam raízes superficiais que comprometem calçadas e redes de esgoto e dificultam a acessibilidade.
A intervenção, porém, foi contestada por moradores e pela Ass. dos Amigos de Alto de Pinheiros (SAAP), que apresentou recurso administrativo solicitando a revisão da autorização. Após as manifestações, a Subprefeitura de Pinheiros suspendeu temporariamente a derrubada das árvores enquanto o processo é reavaliado.
O caso também está inserido em um debate mais amplo sobre as recentes mudanças no zoneamento urbano, que passaram a permitir empreendimentos religiosos de grande porte em bairros predominantemente residenciais, tema que vem gerando discussões entre entidades de moradores e o poder público.
“Bosque e Horta Batatas Jardineiras”
Outra intervenção que provocou reações ocorreu no Bosque do Largo da Batata, conhecido como "Floresta de Bolso". Moradores criticaram a poda realizada por empresa prestadora de serviços e pela Subprefeitura de Pinheiros, alegando que a retirada de arbustos e vegetação rasteira comprometeu parte do projeto de reflorestamento urbano implantado no espaço, inspirado em espécies da Mata Atlântica.
Outra denúncia é sobre a destruição de parte da “Horta comunitária Batatas Jardineiras”, que provocou reação de moradores, ambientalistas e representantes do poder público. O espaço, mantido por voluntários desde 2014 e apoiado pelo programa municipal ‘Sampa+Rural’, foi danificado durante a ação de poda realizada com supervisão da Subprefeitura de Pinheiros, considerada inadequada pelos integrantes do projeto. Segundo os responsáveis pela iniciativa, a intervenção comprometeu anos de trabalho coletivo voltado à agricultura urbana, à educação ambiental e à recuperação da biodiversidade em uma das áreas mais movimentadas de Pinheiros. Entre as espécies afetadas estavam exemplares de graviola da Amazônia, macaúba — palmeira típica do Pantanal — e grumixama, árvore frutífera nativa da Mata Atlântica.
Subprefeitura responde
Em nota, a Subprefeitura informou que os serviços foram executados após solicitações de moradores, que requisitaram melhorias na iluminação noturna e foram acompanhados por engenheiro agrônomo, seguindo critérios técnicos de manutenção.
Os dois episódios evidenciam o desafio de conciliar obras de infraestrutura, acessibilidade e conservação ambiental em uma região onde a arborização é considerada um dos principais patrimônios urbanos. Para moradores e associações, ampliar o diálogo entre comunidade e poder público é fundamental para garantir intervenções transparentes e preservar a qualidade ambiental dos bairros.