Linha 17-Ouro ainda enfrenta desafios para concluir traçado original com atraso de 20 anos
Treze anos após a previsão inicial de inauguração, o monotrilho da Linha 17-Ouro entrou parcialmente em operação apenas em março deste ano e ainda deve levar quase uma década para ter seu traçado original concluído. Anunciado em 2010, o projeto previa uma linha com 18 estações, ligando a Estação Jabaquara, da Linha 1-Azul, à Estação São Paulo-Morumbi, da Linha 4-Amarela, passando pelo Aeroporto de Congonhas. À época, o investimento estimado era de R$ 2,9 bilhões.
Entretanto, o cronograma foi profundamente afetado a partir de 2014, quando a Operação Lava Jato atingiu grandes construtoras responsáveis pelas obras, entre elas Odebrecht e Andrade Gutierrez. Com dificuldades financeiras e impedimentos legais, as empresas deixaram de executar os contratos, que acabaram rescindidos pelo Metrô em 2016.
A paralisação revelou outro problema estrutural: a dificuldade de substituir grandes empreiteiras em obras de elevada complexidade técnica. Nos anos seguintes, o empreendimento enfrentou sucessivas licitações, troca de consórcios, falências de empresas contratadas e disputas judiciais, prolongando a interrupção dos trabalhos.
Os atrasos também tiveram forte impacto financeiro. A primeira etapa da Linha 17-Ouro, composta por oito estações — sete inauguradas em março e a última entregue posteriormente — consumiu R$ 5,97 bilhões, valor superior ao orçamento originalmente previsto para praticamente toda a linha. Segundo o Governo do Estado, o aumento dos custos decorre da necessidade de manutenção de estruturas paralisadas, deterioração de materiais, rescisões contratuais e readequações técnicas acumuladas ao longo dos anos.
Apesar da inauguração parcial, o sistema ainda opera de forma limitada, em fase de testes, funcionando de segunda a sexta-feira, entre 9h e 16h. Atualmente, o monotrilho conecta o Aeroporto de Congonhas às linhas 5-Lilás e 9-Esmeralda, mas ainda não oferece as ligações previstas com Jabaquara e São Paulo-Morumbi, reduzindo significativamente seu potencial de atendimento.
O Governo do Estado pretende retomar a expansão ainda nesta década. Está prevista para este mês a licitação destinada à atualização dos projetos executivos da chamada segunda fase da obra, que incluirá as futuras estações Panamby, Paraisópolis, Américo Maurano e Vila Paulista.
De acordo com o cronograma estadual, a expectativa é iniciar as obras da expansão em 2029, com a conclusão integral da Linha 17-Ouro prevista apenas para 2034, vinte anos após o prazo originalmente estabelecido para sua entrega.