Comunidade TEA destaca Praça Kaol Sugimoto como espaço terapêutico

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A Praça Kaol Sugimoto, uma área de 8 mil m² de Mata Atlântica densa no Butantã, virou o centro de um impasse urbano. A Prefeitura planeja construir um Centro de Acolhimento para Autistas (Centro TEA) no local, o que exigirá o corte de mais de 300 árvores. O paradoxo mobilizou a comunidade: para erguer um equipamento de saúde mental, a gestão pública vai destruir um espaço verde usado justamente para a regulação emocional e terapia de autistas da região.

“A praça é minha rede de apoio”

Para Laís Vitória Ferrante, de 31 anos, moradora a três quadras do local e mãe de Liz (6) e Benjamin (3), que está em investigação para TEA, a praça é vital. "A praça é a minha rede de apoio. Esse espaço de natureza é o que mais ajuda o Benjamin. Ele chega em casa saciado pelo tempo que passou na praça, e isso gera uma redução real de crises", afirma. Segundo Laís, o contato com a terra e as texturas foi uma recomendação médica. "Foi o primeiro lugar que ele pisou na terra. No caminho de volta da escola, ele mexe nas mudinhas de chá. Há uma relação afetiva."

“Essa praça... eu fazia terapia online...”
O impacto também atinge adultos neurodivergentes. Rodrigo de Oliveira Arruda, de 43 anos, bancário e analista de atendimento de grandes empresas, recebeu o diagnóstico de TEA no final do ano passado. Morador do Butantã há mais de 20 anos, ele usava o espaço para descompressão. "Essa praça... eu fazia terapia online nela, era ali que eu me equilibrava emocionalmente", relata.
Rodrigo questiona a prioridade dos gastos públicos com os R$ 72 milhões da possível obra, que seriam muito melhor aproveitados com fonoaudiólogos, terapeutas, psicólogos e pedagogos qualificados dentro das escolas públicas", defende.

“Preservar a natureza significa preservar a nossa humanidade"
O analista de TI Victor Pinas Arnault, de 36 anos, membro da Rede Ambiental Butantã e também autista diagnosticado tardiamente, reforça que a convivência no espaço público é insubstituível. "Não há nada que me faça melhor do que acordar, tomar meu café e caminhar por pelo menos 10 minutos na praça perto de onde moro. Sentir ansiedade é normal para qualquer pessoa, mas eu compreendi que muitos dos problemas que tive na infância foram devido à desregulação causada por ansiedade. Mais do que centros de convivência para pessoas neuro divergentes, são necessários espaços públicos de uso comum".

“A gente quer o Centro TEA em outro lugar”
A editora Mariana Munhoz, de 41 anos, autista e mãe de três filhos também autistas, reside no Butantã e corrobora a necessidade de preservação. "A presença de verde nas grandes cidades é muito importante para garantir bem-estar e qualidade de vida para todas as pessoas, mas nós autistas somos ainda mais impactados pela perda de um espaço verde como a praça Kaol, porque perderemos um espaço importante de alívio sensorial e regulação emocional. Não queremos ter que escolher queremos o centro TEA em outro lugar", sugere.

A favor do Centro TEA, mas em outro local
A comunidade reforça que é totalmente a favor do Centro TEA, mas exige que ele seja instalado em um dos muitos terrenos ociosos ou galpões desocupados da Avenida Eliseu de Almeida.
Fabíola Lago, membro da coordenação da Rede Ambiental Butantã, alerta para o El Niño que se aproxima, que já mostra suas consequências na Europa. “O subprefeito com projeto de um vereador, quer colocar ambientalistas contra o Centro TEA. De forma alguma, o que questionamos é a destruição de mais uma área verde passando por cima da legislação ambiental, pois trata-se de área protegida, conforme registro do próprio GeoSampa, serviço cartográfico oficial do município. Não se trata de terreno, mas de uma praça, com serviços ambientais e até mesmo terapêuticos, como vimos nos relatos de pessoas autistas. Por que destruir mais uma área tão importante para o momento que vivemos?”, questiona.

Novo ato e piquenique comunitário
Neste sábado, 11 de julho, às 9h, haverá ato comunitário com piquenique comunitário na área verde.  Participe em defesa da Praça Kaol Sugimoto, no Butanta, uma área de 8 mil m² de Mata Atlântica.


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