Moradores recorrem à Justiça contra construção de Centro TEA na Praça Kaol Sugimoto
Moradores do Butantã e parlamentares ligados às pautas ambiental e de inclusão, ingressaram com medidas judiciais para tentar impedir a instalação do futuro Centro TEA-Oeste, equipamento municipal destinado ao atendimento de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), no lugar da Praça Kaol Sugimoto. O grupo argumenta que a intervenção poderá provocar a supressão de centenas de árvores e causar impactos em uma área verde considerada fundamental para a qualidade ambiental e social do bairro.
A mobilização reúne moradores, lideranças comunitárias, a deputada federal Luciene Cavalcante e o vereador Celso Giannazi. A bancada feminista da Câmara Municipal também ingressou com ação popular solicitando a suspensão do projeto e acionou o Ministério Público, que intimou a Prefeitura a apresentar, em prazo de 72 horas, esclarecimentos sobre a busca por alternativas de localização para o equipamento.
Os moradores afirmam que apoiam a ampliação da rede pública de atendimento às pessoas com autismo, mas defendem que o Centro TEA-Oeste seja implantado em outro endereço. Segundo o movimento, São Paulo possui terrenos, imóveis públicos e estruturas subutilizadas ou abandonadas que poderiam receber a unidade sem a necessidade de intervenção em uma área de Mata Atlântica urbana preservada.
Para os representantes da comunidade, a Praça Kaol Sugimoto exerce funções ambientais importantes, contribuindo para a redução das ilhas de calor, a drenagem natural do solo, a prevenção de alagamentos e a manutenção da biodiversidade local. Além disso, o espaço é utilizado diariamente pelos moradores para lazer, convivência e atividades ao ar livre.
Entre os argumentos apresentados na ação judicial está a alegação de que a obra representa uma possível lesão ao meio ambiente. Moradores também destacam que a praça possui uma função social e de saúde pública. Um frequentador com TEA afirma que o local funciona como um mecanismo de bem-estar e apoio à saúde mental, especialmente para pessoas autistas que utilizam o ambiente natural como espaço de regulação sensorial e convivência.
Autistas da região também se posicionaram pela preservação da praça e pela busca de uma solução que concilie o atendimento especializado com a proteção ambiental. O movimento comunitário reforça que não é contrário à construção do Centro TEA-Oeste, mas questiona a escolha de uma área verde consolidada para sua implantação.
Como forma de protesto, moradores organizam um piquenique na Praça Kaol Sugimoto no dia 11 de julho, em defesa da preservação do espaço. A comunidade aguarda o andamento das ações judiciais e uma manifestação da Subprefeitura, de mais um projeto polêmico de invasão de área verde protegida (registro do próprio GeoSampa) sobre possíveis alternativas para o projeto.