Mulheres no ramo da inovação: como estimular o interesse científico e tecnológico desde cedo?

Empreendedora e pesquisadora Sara Hughes explica como a escola pode despertar o conhecimento científico em meninas

Por TIAGO LOIOLA
4 Min

Mulheres no ramo da inovação: como estimular o interesse científico e tecnológico desde cedo?
Foto: Freepik

Comemorado no dia 8 da março, o Dia Internacional da Mulher representa a luta pelos direitos e equidade feminina. Seja na cultura, na mídia ou na educação, a celebração é uma oportunidade de valorizar o legado feminino e incentivar, desde cedo, a participação de meninas em diferentes espaços de conhecimento, liderança e inovação. 

A data, reconhecida mundialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem suas origens no movimento feminista operário. Em 1908, 15 mil mulheres marcharam pelas ruas de Nova York reivindicando direitos como a redução da jornada de trabalho, a igualdade salarial e o direito ao voto. 

Ainda que muita coisa tenha mudado de lá para cá, o movimento segue na luta pela representatividade e reconhecimento feminino em diferentes áreas e cargos de poder. No campo das ciências naturais, por exemplo, mulheres foram invisibilizadas por muitos anos.  

Especialistas apontam que a presença feminina sempre existiu de forma significativa — ainda que historicamente em menor número —, como explica Sara Hughes, mantenedora da FourC Bilingual Academy. 

Uma personalidade historicamente negligenciada foi Marie Curie: primeira pessoa a receber dois Prêmios Nobel e, até hoje, a única a conquistá-lo em duas áreas científicas distintas. Conhecida pela descoberta dos elementos polônio e o rádio, a cientista também foi pioneira no campo dos estudos sobre a radioatividade.  

Outro exemplo é a cientista britânica Rosalind Franklin, nascida em 1920, que foi fundamental para o entendimento da estrutura genética ao aplicar a técnica de difração de raios X no estudo de moléculas. Foi nesse contexto que ela produziu a famosa “Foto 51”, imagem decisiva que forneceu pistas essenciais sobre a estrutura em dupla hélice do DNA.  

Para que o legado dessas figuras seja não apenas preservado, mas também ampliado, a especialista destaca que o incentivo à participação feminina precisa começar desde cedo. Mais do que buscar apenas a equiparação numérica, é fundamental que a escola valorize diferentes trajetórias, interesses e formas de aprendizagem, criando um ambiente que estimule meninas a explorarem áreas como ciência e tecnologia: 

"O que desperta o interesse do aluno são os próprios interesses do aluno. Nós conseguimos fazer essa curiosidade florescer a partir do mundo real, trabalhando com situações cotidianas. Hoje a ciência e a matemática estão em tudo, a tecnologia passa por tudo", exemplifica. 

Além disso, a especialista ressalta que esse estímulo não deve se restringir apenas às meninas, mas fazer parte de uma construção coletiva desde a infância. Para ela, incentivar a curiosidade, a autonomia e a participação ativa de todos os alunos é essencial para romper estereótipos que, historicamente, limitaram a presença feminina em áreas como ciência e tecnologia. 

Isso significa repensar modelos tradicionais de educação que valorizam apenas a obediência e a passividade, substituindo-os por ambientes que incentivem questionamento, colaboração e tomada de decisão. Ao promover espaços em que crianças possam errar, experimentar e se expressar, a escola contribui para formar não apenas futuras cientistas, mas indivíduos mais confiantes e preparados para ocupar diferentes papéis na sociedade. 


Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
TIAGO LOIOLA GOMES
[email protected]


FONTE: Mira Comunicação
Notícias Relacionadas »