“Rugby para todos”: esporte como inclusão social em Paraisópolis

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Em 2004, Maurício Draghi e Fabrício "Bi" Kobashi, então atletas da elite do rugby brasileiro, decidiram enfrentar um desafio muito além das linhas do campo. Incomodados com a desigualdade social e a falta de acesso ao esporte em comunidades vulneráveis, idealizaram o projeto “Rugby para todos”, que transformaria a vida de milhares de jovens.
A inspiração surgiu durante os treinos do Clube Pasteur, localizado no bairro do Morumbi, em São Paulo, próximo à favela de Paraisópolis. Com mais de 100 mil habitantes em um quilômetro quadrado, Paraisópolis é marcada por dificuldades de acesso à saúde, educação e lazer. Draghi e Bi Kobashi notaram que o rugby era distante da realidade de muitas crianças e resolveram agir.
No Dia das Mães de 2004, realizaram um jogo-exibição da seleção juvenil em Paraisópolis e distribuíram convites para o primeiro treino. Surpreendidos pela adesão de mais de 100 crianças, logo perceberam que o projeto deveria ir além do ensino do rugby. Questões como fome, falta de acompanhamento psicológico e ausência de estrutura revelaram a necessidade de apoio multidisciplinar, incluindo nutricionistas e psicólogos.

Em 2009, o Instituto Rugby para todos foi fundado, ampliando as atividades para além do esporte, com programas de iniciação profissional e estímulo à educação. O rugby passou a ser um meio para inclusão social, formando cidadãos. O projeto revelou talentos que chegaram às seleções nacionais, como Leila e Bianca Silva, das Yaras, e atletas como Adrio e Brendon, dos Tupis. Leila, presente nas Olimpíadas de Tóquio 2020, destacou como o esporte a ajudou a valorizar os estudos e se desenvolver como pessoa.
Em mais de 15 anos, o instituto atendeu 5.000 crianças, sendo 2.000 de forma continuada. A jornada continua, focada em reduzir desigualdades e criar novas chances para quem mais precisa.


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