Em 2004, Maurício Draghi e Fabrício "Bi" Kobashi, então atletas da elite do rugby brasileiro, decidiram enfrentar um desafio muito além das linhas do campo. Incomodados com a desigualdade social e a falta de acesso ao esporte em comunidades vulneráveis, idealizaram o projeto “Rugby para todos”, que transformaria a vida de milhares de jovens.
A inspiração surgiu durante os treinos do Clube Pasteur, localizado no bairro do Morumbi, em São Paulo, próximo à favela de Paraisópolis. Com mais de 100 mil habitantes em um quilômetro quadrado, Paraisópolis é marcada por dificuldades de acesso à saúde, educação e lazer. Draghi e Bi Kobashi notaram que o rugby era distante da realidade de muitas crianças e resolveram agir.
No Dia das Mães de 2004, realizaram um jogo-exibição da seleção juvenil em Paraisópolis e distribuíram convites para o primeiro treino. Surpreendidos pela adesão de mais de 100 crianças, logo perceberam que o projeto deveria ir além do ensino do rugby. Questões como fome, falta de acompanhamento psicológico e ausência de estrutura revelaram a necessidade de apoio multidisciplinar, incluindo nutricionistas e psicólogos.