Baixas temperaturas exigem precaução extra dos corredores de rua para prevenir lesões musculares e problemas circulatórios
Fisioterapeuta ressalta a importância de cuidados extras para melhorar desempenho dos atletas antes e depois das corridas
A prática da corrida de rua exige cuidados e escolhas corretas de vestuário com a chegada das estações frias. A baixa temperatura pode trazer impactos para a circulação sanguínea e o desempenho físico, que ficam mais expostos aos desconfortos e sobrecargas durante o período. Isso ocorre devido a uma reação imediata do organismo: os vasos sanguíneos da pele e das extremidades do corpo se contraem para preservar o calor nos órgãos vitais. Esse mecanismo natural diminui o fluxo sanguíneo e resfria os músculos.
De acordo com a fisioterapeuta Joseanny Nicolussi, essa mudança altera diretamente a mecânica do movimento. “O frio reduz a elasticidade de músculos, tendões e ligamentos, o que limita a capacidade dessas estruturas de absorver e dissipar as cargas da corrida. Sem a devida proteção, há maior predisposição a distensões e microlesões”, explica a especialista.
A profissional ressalta que as baixas temperaturas também deixam mais lentos os comandos enviados pelo cérebro para as pernas, prejudicando a coordenação motora e o tempo de reação do atleta. Essa menor sensibilidade momentânea eleva o risco de pisadas em falso e até de cãibras, que surgem em decorrência do cansaço precoce da musculatura afetada pelo inverno.
Compressão não aquece, mas melhora o desempenho
Joseanny explica que existe um mito frequente no ambiente esportivo de que peças de roupas com compressão graduada, como meias, funcionam como aquecedoras capazes de elevar a temperatura interna dos tecidos. Pesquisas científicas com sensores mostram que a sensação de aquecimento está associada às características da malha da roupa, que barra o vento e retém o calor do próprio corpo, e não à pressão exercida na pele.
“O grande benefício, por exemplo, de usar meias de compressão graduada em treinos sob temperaturas baixas está no suporte estrutural. Músculos rígidos sofrem mais com os impactos contínuos do asfalto ou de terrenos irregulares. A pressão da malha diminui a vibração sofrida pelos membros a cada passada, o que poupa energia e evita a exaustão precoce logo no início da atividade”, detalha.
Para garantir a segurança total nas pistas, a preparação deve ir além dos acessórios. “O uso dessas soluções tecnológicas é um recurso complementar de proteção, mas ele deve caminhar junto a um aquecimento prévio detalhado e à hidratação constante para preparar o organismo de forma adequada”, finaliza Joseanny.
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