Santo Amaro pode ganhar hospital escola do SUS em obra abandonada
A cidade de São Paulo convive com dezenas de obras públicas, privadas com doação da área e outras inacabadas, que permanecem paralisadas há anos e representam centenas de milhões de reais em investimentos sem retorno para a população. Em nossa região o terreno doado pela prefeitura à Universidade Federal de São Paulo, há mais de 20 anos, pode agora se transformar em um hospital-escola em Santo Amaro para atendimento de centenas de pacientes do SUS. Outra obra interrompida está na Barra Funda, onde o terreno do Ministério Público, teve a interrupção em 2023. Levantamento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) aponta que ao menos 34 obras estão interrompidas na capital, somando contratos superiores a R$ 542 milhões.
Prédios abandonados
Espalhadas por diferentes regiões da cidade, essas estruturas se tornaram parte da paisagem urbana. São prédios de concreto abandonados, terrenos cercados por tapumes e áreas tomadas por mato alto que simbolizam projetos interrompidos e recursos públicos que ainda não se converteram em equipamentos ou serviços para a população.
Santo Amaro
Na Zona Sul da cidade, outro caso chama a atenção. Um terreno doado pela prefeitura à Universidade Federal de São Paulo, localizado na rua Padre José Maria,545, em frente ao Terminal Santo Amaro, há cerca de duas décadas deveria receber a expansão do campus da instituição, prevista inicialmente para ocorrer em até quatro anos. O projeto, porém, nunca saiu do papel.
Hospital-escola SUS
A proposta mais recente prevê a construção de um hospital-escola com 326 leitos destinados ao atendimento pelo SUS, com funcionamento de “porta fechada”, recebendo pacientes encaminhados por outras unidades de saúde. A previsão é que as obras tenham início no segundo semestre.
Barra Funda
Na Zona Oeste, a obra interrompida está localizado ao lado do Fórum da Barra Funda. O prédio pertence ao Ministério Público do Estado de São Paulo e teve a construção suspensa em 2023 após surgirem suspeitas de irregularidades e problemas nas medições técnicas do contrato.
Para especialistas em administração pública, paralisações desse tipo tendem a gerar impactos financeiros adicionais. A professora de administração pública da Fundação Getulio Vargas, Vera Monteiro, afirma que a interrupção de obras acaba gerando custos indiretos para o poder público. “Quando uma obra para, surgem despesas com preservação da estrutura, segurança e eventuais revisões contratuais. No fim, esses custos acabam sendo pagos com recursos públicos”, explica.
R$ 1,33 bilhão
O problema não se limita à capital. Dados do TCE-SP indicam que existem atualmente 267 obras públicas paralisadas em todo o estado, com contratos que ultrapassam R$ 1,33 bilhão.
Enquanto projetos permanecem indefinidos, estruturas abandonadas continuam espalhadas pela cidade, simbolizando investimentos que ainda aguardam se transformar em serviços efetivos para a população.