18/06/2021 às 00h24min - Atualizada em 18/06/2021 às 00h24min

Parque Linear Bruno Covas é entregue à população que luta também por mais  espaços verdes da região

Nada como um esplendoroso domingo ensolarado para entrega oficial do Parque Linear Bruno Covas à população, no último dia 13, na Marginal Pinheiros, proximo à USP. O Governo do Estado de São Paulo vem anunciando projetos de recuperação no Projeto Novo Rio Pinheiros, onde uma extensa ciclovia leva os paulistanos à recém-inaugurado área verde. Pedra fundamental "Estamos todos cheios de esperança e desejo de ver esse rio de volta à vida”, comentou a arquiteta ambiental Riciane Pombo, durante a cerimônia de lançamento da Pedra Fundamental, feita pelo governador João Dória e prefeito Ricardo Nunes, simultaneamente. A cidade de São Paulo aguardava com muita ansiedade a implementação deste espaço. Num futuro próximo, segundo ela, a revitalização do rio Pinheiros será também o reflexo da melhoria da qualidade das águas urbanas, e para isso é necessário muito mais que um projeto. "É necessário e imprescindível que haja um planejamento que pense em todas as bacias hidrográficas de contribuição direta e as microbacias que o alimentam." Portanto, observa Riciane, "pensar soluções pontuais dentro de bairros é essencial para o sucesso de um projeto tão ambicioso." Parques lineares Recuperar córregos e riachos, devolvê-los à população dos seus bairros e atrair a relação afetiva dos moradores com as águas que abastecem a cidade, e que recebem as águas das chuvas, se faz mais do que necessário. E para que as pessoas reencontrem o contato estreito com seus rios, é importante que haja espaços de lazer ao longo desses percursos. É aí que entram soluções ambientais como os parques lineares. Esses perímetros lineares são áreas verdes estruturadas ao longo de rios, córregos e riachos, contribuindo para recuperação de suas margens, ampliando as áreas de inundação natural, preservando o leito e recebendo as águas pluviais da bacia. Recuperando e preservando as matas ciliares, ao mesmo tempo em que se cria espaços de lazer e contemplação, a criação de parques lineares favorece não somente a melhoria da qualidade de vida da população, como também a melhoria na qualidade das águas que chegam nos principais rios que abastecem a cidade. Parque Linear Caxinguí Mas a contribuição de um parque linear não para por aí. Eles também se transformam em espaços de educação e cultura, práticas esportivas e sociabilidade, trazendo melhor saúde e diminuição da violência em regiões tipicamente abandonadas e marginalizadas. "Espaços que promovem usos coletivos saudáveis só tem a agregar à nossa sociedade". Diversas associações de moradores vêm lutando a cada dia para que mais córregos e riachos sejam devolvidos à paisagem urbana e o movimento em prol do Parque Linear Caxingui é um deles. Os moradores da região do Butantã querem ver este parque ser oficializado, pois há anos se mobilizam para implementar a área verde, que deveria estar mais protegida.  A população da região acredita que somente com a criação de um parque linear será possível garantir a permanência e a segurança dessa área de Mata Atlântica remanescente no meio do bairro. Por esse motivo, as arquitetas urbanistas e ambientalistas, Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, Riciane Pombo e Luciana Murakami, foram levar o apoio à luta pela implantação do Parque Linear Caxingui, cuja bacia hídrica deságua no Rio Pinheiros e fica a poucos metros das margens protegidas deste importante rio da capital, incrustrado em bioma de Mata Atlântica. A urbanista e ambientalista Lucila Lacreta ressaltou "o quanto é importante o aproveitamento de uma das últimas áreas vazias da região e com solos frágeis a serem preservados como área de drenagem é para o desejo da população". A cidade, segundo ela, "merece ter este equipamento totalmente preservado ambientalmente para as futuras gerações." Jardins de chuva Aliás, um dos grandes entusiastas dos projetos ambientais, o prefeito Ricardo Nunes, anunciou recentemente que pretende implantar canteiros e jardins de chuva em toda capital, para facilitar a drenagem das águas de chuva, uma mudança significativa nas questões hídricas de São Paulo. Riciane é especializada em projetos de infraestrutura hídrica (Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo), vem desenvolvendo projetos para os Cadernos de Bacias da cidade através da FCTH – Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica e da Siurb – Secretaria de Infraestrutura Urbana e Obras. Com o objetivo de expandir jardins e minipraças para prevenir enchentes, Nunes pretende aumentar a quantidade de pequenos espaços verdes no perímetro urbano e com isso, diminuir ou até eliminar enchentes em alguns locais. A arquiteta Luciana, foi responsável pela implantação de jardins de chuva na zona oeste e considera os parques lineares importantes mecanismos de conservação dos nossos cursos d’água, criando uma relação de respeito e utilidade a um espaço antes ignorado. "A cidade de São Paulo possui centenas de rios e córregos em todo o seu território, aprender a conviver de forma harmoniosa com eles é imprescindível para que a cidade caminhe em direção um urbanismo sustentável a longo prazo." Projeto Pomar O Projeto Pomar, criado pelo deputado Ricardo Trípoli, permitiu a recuperação da mata ciliar e o plantio de inúmeras espécies de árvores, arbustos e plantas que hoje, ostentam exuberância de belíssimas floradas ao longo da Marginal Pinheiros. Poucos sabem, mas para que seja possível ter o Rio Pinheiros totalmente recuperado e devolvido à população, com águas límpidas e peixes, alerta Riciane, não é possível ignorar seus diversos afluentes, que deságuam ao longo de sua extensão, por isso se faz importante dar continuidade e implantar os projetos através de planejamentos como os propostos pelos Cadernos de Bacia da Cidade. A pandemia mudou conceitos e prioridades e aponta a urgente necessidade da criação de novos espaços que promovam usos coletivos sociais, seguros e saudáveis. A população continua tentando fazer valer a participação social na escolha do uso do solo e da preservação ambiental, com sentimento de pertencimento e responsabilidade pelo espaço público. E se depender das autoridades ali presentes, quem sabe um ‘pinguinho de esperança’, pois além do Prefeito Ricardo Nunes, o Secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado, Marcos Penido e o presidente da Empresa Metropolitana de Águas e Energia, Márcio Rea usaram a máscara de proteção com a estampa do Parque Linear Caxingui. Mata Atlântica desmatada Entretanto, a luta por mais locais verdes não pára. De acordo com a jornalista Ana Aragão, o processo pelo Parque Caxingui continua com duas Ações Civis Públicas contra o empreendimento no local. Ambas, na Segunda Instância do Tribunal de Justiça de São Paulo. “Foram muitos evidentes e claros os sinais de irregularidades no processo de aprovação do Projeto”, afirma. Segundo ela, no local,  "há necessidade de recuperar o trecho desmatado de Mata Atlântica”. Assim, a população espera apenas “um belo e maravilhoso parque de cobertura nativa” para aproveitar ainda mais a região. Luta da comunidade local Há algumas edições,a Gazeta de Pinheiros/Jornal do Butantã/Morumbi News/São Paulo News/Tribuna de Santo Amaro-Grupo 1 de Jornais mostrou a luta pelo local. Na ocasião, a Prefeitura de São Paulo informou que o Parque Linear Caxingui consta do Plano Diretor e está em planejamento. Quanto ao terreno do empreendimento, trata-se de uma área particular e o interessado protocolou pedido  de Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova, quando a antiga Lei de  Zoneamento (Lei nº 13.885/2004) ainda estava em vigor. *O processo foi analisado de acordo com as regras da legislação, mesmo com parecer contrário da SMVMA na época do protocolo e o álvará foi aprovado em 31 de dezembro de 2016 - data, no mínimo discutível para o entendimento do Ministério Público. O empreendimento aprovado na época se restringe à área que antes de tudo, estava demarcada como ZEPAM e transformou-se em ZEIS na revisão do Plano Diretor. Após muita discussão na Câmara Municipal,voltou a ser área protegida.  Trata-se de um conjunto residencial com unidades de Habitação de Interesse Social e de Habitação de Mercado Popular. Apenas a nova Lei de Zoneamento (Lei nº 16.402/2016) demarcou toda a área como Zona de Proteção Ambiental (ZEPAM). O processo cumpriu todos os ritos da análise e passou pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente, que emitiu parecer contrário ao empreendimento.


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