Estudo aponta velocidade média de 72,2 km/h na faixa azul; Prefeitura contesta resultados
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Instituto Cordial e da organização internacional Vital Strategies aponta que motociclistas trafegam, em média, a 72,2 km/h nas faixas azuis da capital paulista — acima do limite permitido na maior parte das vias da cidade. O levantamento, intitulado “Impacto da Faixa Azul na Segurança Viária”, analisou 32 horas de filmagens captadas por drones em diferentes trechos da rede, atualmente com 233,3 quilômetros de extensão distribuídos por 46 vias. As imagens foram processadas por dois algoritmos de inteligência artificial, capazes de identificar veículos, trajetórias e estimar velocidades. Segundo os pesquisadores, a média de 72,2 km/h foi registrada em pontos afastados de semáforos ou com espaçamento superior a 20 metros entre veículos. Mais da metade dos motociclistas filmados trafegava acima de 70 km/h, e 27% superavam 80 km/h. O limite geral no município é de 50 km/h, chegando a 60 km/h na Avenida 23 de Maio, onde a primeira faixa azul foi implantada, em 2022. Relatório preliminar divulgado no ano passado já indicava que 7 em cada 10 condutores excediam o limite. Na versão final, segundo o professor Mateus Humberto, da Escola Politécnica da USP, o índice se aproximou de 90%. A Prefeitura de São Paulo contesta os dados. De acordo com a gestão municipal, a velocidade média registrada desde a implantação da sinalização até dezembro de 2025 foi de 49,5 km/h. O Executivo afirma ainda que houve redução no número de mortes de motociclistas nas vias com faixa azul — de 29 para 22 — além de queda nos casos com feridos e atropelamentos. O estudo, porém, conclui que ainda não é possível afirmar que a faixa azul reduz lesões e óbitos. Em 2024, 475 motociclistas morreram no trânsito da capital, número 18% superior ao registrado em 2023.
Entre as recomendações dos pesquisadores estão o reforço da fiscalização de velocidade, melhoria da sinalização nas aproximações de cruzamentos e transições mais claras nos trechos de entrada e saída das faixas. O governo federal estuda regulamentar corredores exclusivos para motos em âmbito nacional.