Manifestantes cobram transparência e questionam expansão do Instituto Butantan
Nova manifestação de moradores e ambientalista realizada dia 9, contra as obras que estão causando impactos ambientais e supressão de árvores, marcou o evento no Instituto Butantan (IB), que teve o anúncio de financiamento federal e estadual para a expansão da instituição, e o início da vacinação contra a dengue por equipes do SUS com imunizante. A cerimônia contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice Geraldo Alckmin, ministro da Fazenda Fernando Haddad, do secretário de Saúde de São Paulo, Eleuses Paiva e do diretor do Butantan Esper Kallas. Protesto O protesto ocorreu do lado de fora do evento, fechado ao público. Os manifestantes são favoráveis às novas vacinas, mas cobram mais transparência e questionam a expansão que terá mais corte de árvores. Distribuíram cópias de um release à imprensa, autoridades, parlamentares e convidados, sobre a ação judicial que será encaminhada nos próximos dias, além de conversarem com representantes presentes sobre as críticas ao projeto. O ‘SOS Instituto Butantan’ defende a autossuficiência vacinal do Brasil e a expansão sustentável da planta fabril. Afirma que essas fábricas deveriam ser instaladas em outro local, de forma a permitir a construção horizontal mais adequada e econômica para esse tipo de indústria, possibilitando logística e infraestrutura adequadas e expansão futura. Além disso já houve um grave desmatamento e a construção de obra de grande porte em área de preservação permanente (APP) de proteção de cursos d’água. Justiça suspende lei que alterava zoneamento O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) concedeu liminar suspendendo parcialmente a vigência da Lei Municipal nº 18.298, que alterava o zoneamento do Instituto Butantan e autorizava intervenções urbanísticas e ambientais na área. A decisão foi tomada no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) proposta pelo Procurador-Geral de Justiça do Estado, que apontou irregularidades no processo legislativo e ausência de fundamentos técnicos para a mudança. Na decisão, o TJ-SP acolheu argumentos de que a lei desrespeita a exigência constitucional de planejamento urbanístico prévio, essencial para o atendimento das funções sociais da cidade e para a melhoria das condições de vida da população. A representação também afirma que a norma promoveu alterações relevantes na proteção do meio ambiente e do patrimônio cultural sem respaldo técnico adequado. Paralisação total Em 2022, respondendo às denúncias da ‘Rede Butantã’, o Ministério Público (MP) recomendou a “paralisação total da ação de degradação nas dependências do IB em relação ao desmatamento de vegetação protegida (Mais de mil árvores já cortadas e mais 1,7 mil novos cortes planejado, totalizando quase 3 mil). Em relação a intervenções em prédios históricos, contemplando ainda todas as obras projetadas que possam causar prejuízo ao bem tombado”. A esse respeito, dois inquéritos civis continuam em andamento no MP. Reunião com ministro Com apoio secretaria geral da presidência e de equipes dos vereadores Nabil Bonduki e Eliseu Gabriel Vespoli, uma comitiva de manifestantes foi recebida após a cerimônia pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, além dos vereadores Luna Zarattini e o próprio Bonduki e assessores. Segundo relato dos participantes, Padilha ressaltou a importância estratégica das vacinas produzidas pelo Butantan para a população brasileira e afirmou que a expansão de um “conjunto inicial” de imunizantes seguirá no campus atual. Ainda de acordo com os manifestantes, o ministro teria indicado que haverá esforços para que “novos conjuntos” sejam fabricados em outras áreas. Impacto ambiental e poluição sonora Os integrantes do movimento afirmam que defendem a ampliação da produção de vacinas, mas questionam a localização da expansão e o que classificam como falta de transparência e de participação popular no processo decisório. Eles pedem que eventuais ampliações sejam precedidas de estudos de impacto ambiental e de vizinhança, com ampla discussão pública e avaliação de riscos, especialmente em áreas próximas a regiões densamente povoadas.
Desde abril de 2025, a poluição sonora é ininterrupta, acima do limite permitido e já comprovada pela Cetesb-Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, afetando gravemente o ecossistema local e a saúde dos moradores vizinhos, que registraram inúmeros boletins de ocorrência e reclamações no PSIU.