A importância da manutenção preventiva das árvores e o aterramento dos fios diante das tempestades em São Paulo
A perda de massa arbórea da cidade ao longo dos anos tem criado zonas de calor responsáveis por tempestades mais intensas, ventanias e inundações. O aquecimento vem aumentando e a antiga “Cidade da Garoa” transformou-se na cidade das tempestades. É inaceitável que a maior cidade da América Latina ainda não tenha conseguido avançar no enterramento de sua fiação aérea. Enquanto empresas de eletricidade e telecomunicações ocupam o espaço aéreo com fios e cabos que degradam a paisagem urbana, São Paulo segue vulnerável a apagões recorrentes. Se a fiação estivesse enterrada, boa parte desses problemas poderia ser evitada. As recentes ventanias, com quedas de árvores, falta de energia e bloqueios viários, reforçam a necessidade de cuidar da arborização de forma preventiva e contínua. Esses eventos impactam diretamente a segurança das pessoas e mostram que o tema exige planejamento. As árvores são aliadas da cidade, não inimigas, mas precisam de manejo técnico adequado, sobretudo quando envelhecem ou apresentam fragilidades naturais. Nesse contexto, a AME Jardins encomendou um estudo técnico ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para avaliar as condições das árvores da região. O levantamento analisou milhares de exemplares e identificou uma parcela significativa com risco elevado de queda. Diagnósticos como esse reforçam que a arborização segura depende de acompanhamento contínuo e intervenções preventivas, e não de ações apenas após eventos extremos. O tema também tem sido debatido no AMEcast, podcast da AME Jardins, que recebeu o botânico e paisagista Ricardo Cardim para discutir como ilhas de calor, falta de arborização e manejo inadequado agravam eventos climáticos extremos. As mudanças no padrão climático tornam esse cuidado ainda mais urgente. São Paulo já convive com tempestades concentradas e rajadas de vento mais fortes, alimentadas pelas zonas de calor ampliadas pela escassez de árvores. Nesse cenário, associações de bairro têm papel decisivo ao identificar riscos e dialogar com o poder público. Mais do que uma questão paisagística, a manutenção preventiva das árvores está ligada à segurança, à mobilidade, à continuidade dos serviços urbanos e à resiliência climática da cidade.
*Fernando Sampaio é jornalista e presidente da AME Jardins, entidade que representa os bairros dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano, e morador da região há mais de 40 anos.