PPP de R$ 9,5 bilhões para despoluição dos rios Tietê e Pinheiros expõe histórico de promessas não cumpridas

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O Governo de São Paulo lançou a consulta pública para uma parceria público-privada (PPP) de R$ 9,5 bilhões destinada à limpeza e desassoreamento dos rios Tietê e Pinheiros, com prazo de 15 anos. A concessão, financiada integralmente pelo Estado, prevê remoção de sedimentos, coleta de detritos, controle de macrófitas, manutenção de áreas verdes e planos de paisagismo. Promessas não cumpridas Apesar do discurso oficial, especialistas e ambientalistas alertam que o projeto repete um padrão histórico de promessas não cumpridas. O Tietê, que atravessa São Paulo há mais de um século, continua poluído, com enchentes e odores constantes, mesmo após décadas de planos de despoluição e investimentos bilionários. Desde 2023, o Programa Integra Tietê contabiliza mais de R$ 22 bilhões aplicados em esgoto e desassoreamento, incluindo 576 km de tubulações, 16 estações elevatórias e conexão de 800 mil domicílios a redes de esgoto. Ainda assim, rios permanecem degradados, e o impacto na vida cotidiana da população é quase nulo. Muita propaganda sem resultados Críticos questionam a lógica da PPP: delegar à iniciativa privada uma responsabilidade que é essencialmente do Estado, sob a promessa de eficiência empresarial. “O histórico mostra que essas parcerias muitas vezes criam mais propaganda do que resultados concretos, se não houver fiscalização rigorosa e transparência total”, afirma Marcelo Rozenberg, do Instituto de Engenharia. Poluição continuará A SP Águas, responsável pelo desassoreamento, já retirou 4,14 milhões de metros cúbicos de sedimentos e 104 mil toneladas de lixo do Rio Pinheiros desde 2023. A Cetesb monitora 27 pontos do Tietê, enquanto o GFI-Tietê aplicou apenas R$ 5,2 milhões em multas a poluidores. Especialistas alertam que, com esse ritmo, a poluição continuará superando a capacidade de limpeza. Erros de décadas
Enquanto o governo anuncia a PPP como solução histórica, ambientalistas e moradores veem um modelo que posterga responsabilidades, foca em contratos bilionários e deixa os rios como espelhos do descaso, repetindo erros de décadas e questionando se a população verá, de fato, melhorias concretas na qualidade de vida e no saneamento básico.