Ciclovia do Rio Pinheiros expõe contrastes: trechos impecáveis convivem com abandono

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A Ciclovia do Rio Pinheiros, um dos principais eixos cicloviários de São Paulo, revela um cenário de extremos. Enquanto alguns trechos oferecem estrutura adequada, sinalização clara e manutenção regular, outros permanecem em situação precária, com buracos, acessos improvisados e iluminação inexistente. A disparidade reforça a sensação de descaso do poder público e das concessionárias responsáveis, além de limitar o potencial de uso do espaço tanto para lazer quanto para mobilidade diária.
Pavimento X Segurança X Abandono Nos trechos mais bem conservados, o ciclista encontra pavimento em bom estado, sinalização visível e áreas de apoio, elementos que garantem segurança e conforto. Já em outros pontos, especialmente nas regiões de acessos bloqueados ou provisórios, o cenário é de abandono: escadas improvisadas com canaletas estreitas, infiltrações e ausência de policiamento tornam o trajeto arriscado. À noite, a falta de iluminação transforma a ciclovia em um espaço quase exclusivo para o lazer diurno, afastando usuários que dependem dela para deslocamentos.
Sem manutenção
A diferença de gestão entre as duas margens agrava o problema. A Ciclovia da Margem Leste, concedida à iniciativa privada desde 2020, conta com administração mais ativa, mas ainda sofre com restrições de acesso e trechos interrompidos por obras do Metrô. Já a Ciclovia da Margem Oeste, sob responsabilidade direta do Governo do Estado, carece de investimentos consistentes e acumula pontos sem manutenção, reforçando a sensação de insegurança.

Urgente melhorias Relatórios elaborados por coletivos como o Bike Zona Sul e o Bike Zona Oeste apontam a urgência de melhorias estruturais, incluindo a construção de novos acessos, instalação de iluminação adequada, policiamento e rampas pedaláveis no lugar de escadas. Para os ativistas, o contraste entre trechos modernos e áreas degradadas demonstra que a ciclovia ainda não é tratada como prioridade de mobilidade urbana, mas como um espaço secundário.
O potencial do eixo cicloviário, que conecta zonas Sul e Oeste e poderia integrar-se a outras rotas da cidade, é inegável. No entanto, sem ações efetivas e uniformes de manutenção e ampliação, a Ciclovia do Rio Pinheiros continuará dividida entre a vitrine de modernização e a realidade de abandono.