Projeto bilionário do governo Tarcísio para nova sede é criticado por custo elevado e riscos urbanísticos

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O governo do estado de São Paulo iniciou a transferência da Secretaria da Justiça e Cidadania para o Palácio dos Campos Elíseos, no Centro da capital. A mudança é apenas o primeiro passo de um ambicioso projeto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para concentrar todas as secretarias estaduais em uma única região. A proposta, no entanto, levanta sérias críticas: além de custosa, a centralização pode agravar desafios urbanísticos e sociais que poderiam ser evitados. R$ 5,4 bilhões O projeto prevê a construção do ‘Novo Centro Administrativo Campos Elíseos’, um complexo de R$ 5,4 bilhões, com sete edifícios e dez torres para abrigar cerca de 22,7 mil servidores públicos. O leilão para concessão da obra e gestão do espaço está previsto para outubro deste ano, com contrato de 30 anos. A empresa vencedora será responsável pela implantação, operação e manutenção de todo o complexo. 27 mil funcionários Embora o governo alegue que o projeto irá revitalizar o centro e gerar empregos, especialistas e urbanistas questionam a real necessidade da transferência. Atualmente, os 27 mil funcionários do estado já estão distribuídos por cerca de 60 prédios em diferentes pontos da cidade. A mudança, além de cara, exige grandes adaptações em uma área já saturada em infraestrutura, transporte e moradia. Um dos pontos mais controversos do plano é a remoção da Favela do Moinho, prevista para o próximo ano. Cerca de 800 famílias vivem na comunidade, e há preocupação com o destino dessas pessoas. A promessa do governo é realocá-las "no entorno", mas não há garantias concretas quanto à permanência digna dessas famílias em áreas centrais — medida que historicamente se mostra difícil de ser cumprida. Intervenções urbanas Além disso, o projeto prevê intervenções urbanas profundas, como o fechamento do terminal Princesa Isabel e a substituição da estação Júlio Prestes pela futura estação Bom Retiro. Tais mudanças impactarão diretamente a mobilidade de milhares de usuários do transporte público e alteram a dinâmica do bairro de forma potencialmente excludente.
Diante do alto custo, da complexidade logística e dos riscos de gentrificação e remoções forçadas, a transferência da sede administrativa do estado para o Centro parece mais um movimento simbólico que estrutural. Em vez de atacar os problemas reais da região com políticas habitacionais, segurança e acesso a serviços, o governo aposta em um projeto monumental que pode aprofundar as desigualdades e desfigurar ainda mais o já fragilizado tecido urbano central de São Paulo.