Nova dispersão na Cracolândia expõe estratégias falhas da PM
Na tarde desta segunda-feira (14), um grupo de dependentes químicos que ocupava há meses a calçada de acesso à Avenida Rebouças, ao lado do muro do Hospital das Clínicas, na zona oeste de São Paulo, deixou o local. O episódio deveria indicar um esforço estruturado de acolhimento, mas na realidade escancara a estratégia falha da Polícia Militar (PM) no trato com usuários de drogas, que em sua maioria, mesmo sendo assistidos e abrigados por órgãos assistenciais, fogem e retornam às ruas. Dispersão do centro para os bairros A área, embora sem comércio ou residências, é passagem diária de pacientes e funcionários do Hospital das Clínicas. Nos últimos anos, após operações de dispersão na região central, grupos migraram para pontos próximos à Avenida Doutor Arnaldo, Rebouças, Rua da Consolação e Avenida Paulista, ocupando canteiros, túneis e viadutos. Nesta terça-feira (15), parte dos usuários já foi vista em uma praça próxima, onde continuavam a consumir drogas a céu aberto. ”Empurrar” os dependentes A estratégia das forças de segurança tem sido "empurrar" os dependentes químicos de um ponto a outro, impedindo que se fixem, mas sem oferecer alternativas reais de cuidado. Os usuários de drogas, em sua maioria negam acolhimento, havendo apenas o deslocamento: cada vez que amanhece, a PM e a GCM passam ordenando a retirada de barracas e pertences. Eles, então, se dispersam para áreas vizinhas, como o canteiro ao lado do túnel da Paulista ou praças adjacentes. Insegurança nas ruas do HC Em depoimentos à reportagem, pacientes do Hospital das Clínicas relatam insegurança e medo ao passar pelo local. Ana Maria, que vem de São José dos Campos para tratamento, diz que a situação se deteriorou rapidamente. “Antes era tranquilo, mas agora tem muita gente, é assustador”, comenta. Raul Carlos, também paciente, reforça: “É triste e assustador. Você passa desviando, sem saber o que pode acontecer.”
O cenário atual reforça a falta de articulação entre GCM, PM e assistência social, que precisam realizar abordagens mais humanizadas. Enquanto isso, São Paulo assiste, impotente, ao crescimento de "mini cracolândias" espalhadas por diferentes bairros, com a constante remoção visível em detrimento de soluções efetivas.