Denúncia gravíssima: Sabesp despeja 'esgoto in natura' na Represa Guarapiranga após privatização
Uma denúncia recente feita pelo mandato da vereadora Renata Falzoni (PSB) revelou o que moradores e organizações vêm alertando há anos: a Sabesp despejou esgoto cru no córrego Itupu, em M’Boi Mirim, que deságua diretamente na Represa Guarapiranga — um dos principais mananciais de água potável em São Paulo. Sabesp libera esgoto ‘in natura’ Vídeos registrados pela Associação Nossa Guarapiranga (ANGUA), composta por velejadores, clubes náuticos e marinas, mostram o esgoto sendo liberado por uma estação elevatória da própria Sabesp, flagrante feito pela Guarda Civil Metropolitana Ambiental. O Ministério Público abriu um inquérito civil e concedeu 20 dias para esclarecimentos. Desde então, a vereadora exigiu explicações formais da ARSESP, Prefeitura, Secretaria do Verde e até protocolou pedido de audiência pública e visita técnica ao local. “É um crime ambiental cometido à luz do dia… A população de São Paulo pede socorro”, afirma Falzoni. Represas recebem todo tipo de esgoto Esta não é uma denúncia isolada. Investigações do MP-SP e reportagens do UOL apontam que as represas Guarapiranga e Billings são atingidas por vazamentos constantes de esgoto e poluição urbana, agravada pela reversão das águas do Rio Pinheiros. Amostras indicam presença de substâncias prejudiciais à saúde, odor forte e coloração alterada, chegando até às torneiras residenciais. Baixa qualidade O volume de esgoto sem tratamento proveniente de bairros periféricos e ocupações irregulares compromete a qualidade da água. Cidades e córregos da região despejam diretamente no manancial, e ecobarreiras instaladas pela Sabesp foram abandonadas há meses. Ainda segundo a CETESB, a água na porção inferior da bacia da Guarapiranga é considerada de “extremamente baixa qualidade”. Questionamentos O agravamento do cenário ocorre após a controversa privatização da Sabesp, por iniciativa do governador Tarcísio de Freitas, concluída em julho de 2024. A empresa foi vendida por até 44% abaixo de seu valor real, gerando alertas do Sindicato dos Trabalhadores (Sintaema) e questionamentos no Tribunal de Contas do Município. Moradores relatam frequente escassez ou água turva nas torneiras, inclusive com mau cheiro e possíveis riscos à saúde — sintoma que ganhou força após a privatização. No Reddit da comunidade paulistana, relatos com coloração marrom e verde, partículas em suspensão e coceiras na pele reforçam o descontentamento . A justificativa oficial — alegando que mudanças climáticas são a causa — é vista como inaceitável diante de evidências de negligência na coleta e tratamento de esgoto no entorno da represa. Riscos incontornáveis O atual desmonte regulatório, impulsionado pela privatização da Sabesp, expõe São Paulo a riscos incontornáveis: poluição das represas, precarização do abastecimento e agravamento de crises sanitárias. A pressão do mandato da vereadora Falzoni e de outros personagens públicos, do Ministério Público e da sociedade civil é urgente e necessária. Mas somente ações concretas — como fiscalização rigorosa, reintegração urgente de ecobarreiras, investimento robusto em coleta e tratamento e responsabilização dos culpados — terão força para recuperar as águas da Guarapiranga e resguardar a saúde de milhões de paulistanos. Segue posicionamento da Sabesp na poluição da Represa Guarapiranga
“A Sabesp informa que a paralisação temporária do bombeamento de esgoto na região da Estrada do Riviera, nas proximidades da Represa Guarapiranga, foi provocada por uma interrupção no fornecimento de energia elétrica em 31 de maio. A situação comprometeu momentaneamente o funcionamento da Estação Elevatória de Esgoto, mas o sistema foi restabelecido assim que o fornecimento de energia foi normalizado. A estação é monitorada e no momento opera dentro da normalidade.” Imprensa Sabesp