Supressão de árvores avança na zona oeste de São Paulo e põe em risco áreas verdes estratégicas
A cidade de São Paulo assiste a uma preocupante escalada no corte de árvores, especialmente em bairros da zona oeste, onde importantes áreas verdes estão sendo ameaçadas por intervenções públicas e privadas. Entre os casos mais graves estão o plano de expansão do Instituto Butantan, que prevê a derrubada de cerca de 7 mil árvores; os cortes realizados pela SIURB na Praça Roberto Gomes Pedrosa, em frente ao estádio do Morumbi; e a já condenada pelo TJ, supressão de 300 árvores executada pela Sabesp na mesma região. Apesar da novidade dos ‘bosques urbanos’ da Prefeitura, árvores centenárias precisam de maior proteção, ainda mais em tempo de COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) que será realizada no Brasil. Um suposto crime ambiental do Instituto Butantan O projeto do Instituto Butantan, apesar de contar com pareceres técnicos favoráveis ao corte sob a justificativa de compensação ambiental da desprestigiada Cetesb — com o plantio de mais de 9 mil mudas —, gerou forte reação de moradores e ambientalistas. O movimento SOS Butantan tem alertado para a perda irreversível de vegetação nativa de Mata Atlântica, que abriga diversas espécies da fauna paulistana. Para os opositores, a simples reposição de árvores jovens não é capaz de restaurar os serviços ecológicos prestados por exemplares centenários. Morumbi perde sua praça Na Praça Roberto Gomes Pedrosa, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) executou cortes de árvores sem diálogo prévio com o Conselho Participativo local nem com os moradores. A medida, segundo a Prefeitura, foi necessária para a construção de reservatórios de contenção de enchentes. No entanto, a comunidade questiona a falta de estudos de impacto e a ausência de medidas alternativas. Sabesp condenada Outro episódio que causou indignação foi protagonizado pela Sabesp, que cortou cerca de 300 árvores defronte ao estádio do Morumbi. A empresa foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo por não apresentar os devidos estudos ambientais e não dialogar com a população. Mesmo após a decisão judicial, os danos à arborização urbana permanecem evidentes. Parques lineares Além das supressões já concretizadas, a região sofre com a não implantação de parques lineares prometidos pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente. Projetos como Linear Caxingui, passando pelo Corveta Camapuã até o Trio Itararé, Charque Ibiraporã e Pires Caboré na subprefeitura Butantã e aí vem os da Sub Campo Limpo: Itapaiuna, Mirandas e outros, seguem no papel, enquanto áreas verdes degradadas são alvos de desmatamentos, ocupações irregulares e descaracterizações promovidas por interesses pontuais — como a conversão de trechos florestais em estacionamentos ou espaços para pets. Especialistas alertam que o desmatamento urbano contribui diretamente para o aumento das temperaturas, a piora da qualidade do ar, o desaparecimento da fauna silvestre e o aumento do risco de enchentes e deslizamentos. Em uma cidade já fragilizada ambientalmente, a preservação de cada árvore adulta torna-se vital.
Moradores, conselhos ambientais e associações civis pedem maior fiscalização, a revisão dos projetos que envolvem supressão vegetal e a implantação efetiva de políticas públicas de proteção às áreas verdes urbanas. Sem isso, a São Paulo do futuro poderá pagar um preço alto pela falta de equilíbrio entre desenvolvimento e sustentabilidade.