Rede Nossa São Paulo aponta desigualdade na educação da capital; Zona Oeste se destaca, periferia sofre mais
Dados divulgados pela Rede Nossa São Paulo, com base no ‘Mapa da Desigualdade’, revelam profundas disparidades no acesso e qualidade da educação pública na capital. A análise evidencia uma desigualdade marcante entre bairros da Zona Oeste, considerados mais nobres, e regiões periféricas da cidade. Segundo Igor Pantoja, coordenador de relações institucionais da entidade, “São Paulo tem quase 12 milhões de habitantes e condições educacionais muito distintas entre seus distritos. Enquanto algumas regiões apresentam bom acesso e qualidade, outras ainda enfrentam precariedade, especialmente na educação pública”. Dos 96 distritos avaliados, 45 tiveram nota média do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos finais do ensino fundamental abaixo de 5 — valor que representa a média nacional para escolas públicas e privadas. Entre os piores resultados estão os bairros Ipiranga (4,0), Bela Vista (4,3) e Vila Leopoldina (4,4). Por outro lado, o distrito de Pinheiros, localizado na Zona Oeste, destacou-se com a melhor nota (5,8), seguido por Aricanduva (5,7), Mooca e Carrão (ambos com 5,6). A disparidade se reflete não apenas na qualidade do ensino, mas também no acesso. Enquanto bairros da Zona Oeste, como Alto de Pinheiros, apresentam espera de apenas dois dias para vaga em creche, áreas periféricas como Brás, na região central com forte presença de migrantes, enfrentam filas de até 28 dias. “O Brás é um exemplo claro da desigualdade: apesar de sua localização central, sua população vulnerabilizada sofre com o acesso limitado a serviços públicos essenciais”, explica Pantoja. Outro indicador que revela desigualdade é o esforço docente, que mede condições de trabalho como carga horária e número de alunos por turma. Distritos nobres como Pinheiros, Vila Mariana e Moema têm 0% dos professores em situação de esforço elevado, enquanto Santo Amaro registra 12,84%. A Rede Nossa São Paulo também elaborou um ranking geral de educação, com Perdizes, Artur Alvim e Butantã entre os melhores colocados, e Sé, Campo Belo e Santana figurando nas últimas posições. Esse panorama reforça a desigualdade entre regiões da capital. A Prefeitura de São Paulo, em nota, destacou que o Ideb municipal é superior à média nacional, com 4,8 nos anos finais e 4,6 nos iniciais do ensino fundamental. Para mitigar desigualdades, o Executivo cita programas de gratificação para professores em áreas de difícil acesso e centros educacionais unificados (CEUs) em territórios vulneráveis, que promovem educação integral e acesso a cultura e lazer.
Apesar dos esforços oficiais, os dados da Rede Nossa São Paulo indicam que a cidade ainda enfrenta desafios significativos para garantir educação de qualidade de forma equitativa entre suas zonas nobres e periferias, sobretudo na região da Zona Oeste que, embora mais privilegiada, convive com contrastes dentro do próprio território.