Justiça Verdade

Rogério Candotti | rogerio@grupo1.com.br | blogdorogerinho.wordpress.com

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O Júri (2003), disponível na Netflix e no Disney Plus, é uma adaptação quase fiel ao romance de suspense jurídico do mesmo autor de A Firma, Tempo de Matar e O Dossiê Pelicano: a última deste aclamado escritor adaptado para o cinema. A trama centrada no inescrupuloso consultor de júri Rankin Fitch, interpretado por Gene Hackman no penúltimo papel de sua carreira, e no jurado Nicholas Easter (John Cusack) que com a ajuda da namorada Marlee (Rachel Weisz) passa a influenciar o júri a favor de quem lhe oferecer a maior quantia em dinheiro. Fitch enriqueceu chantageando ou invadindo a privacidade de jurados, além de embutir fitas ilegais de vigilância dentro do tribunal com o intuito de conhecer melhor o comportamento daqueles que decidem a sentença. Nada se sabe, porém, sobre a origem ou as motivações do psicopata que matou 11 colegas da corretora de valores onde trabalhava usando uma pistola semi-automática, cujo advogado de uma das vítimas, Wendell Rohr (Dustin Hoffman), processou apenas a empresa Vicksburg Firearms por negligência grave, visando corroborar com a narrativa progressista de que as armas de fogo são responsáveis pela violência no país em vez daqueles psicopatas suicidas que as compram em qualquer mercadinho de esquina sem a burocracia do governo para impedi-los. Dessa forma, o diretor Gary Fleder decidiu peitar os fabricantes de armas de fogo em vez de peitar as empresas de tabaco, como a Pynex: a verdadeira vilã do best-seller homônimo publicado por John Grisham, responsável pela principal causa de morte evitável no mundo: cerca de 8 milhões de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Por isso, existem apenas duas películas conhecidas do público, em geral: O Informante e Obrigado por Fumar, lançados curiosamente na mesma época e por diretores mais corajosos do que Fleder. No entanto, em Precisamos Falar Sobre o Kevin um adolescente mata 11 pessoas usando um arco e flecha dentro da própria escola sem que ninguém processe o fabricante daquele arco e flecha assassino. Em A Jurada (1996), disponível na Netflix, a bela artista plástica Annie Laird (Demi Moore) com um filho pequeno para criar, interpretado por Joseph Gordon-Levitt, é obrigada a influenciar os outros jurados a inocentar o mafioso Louie Boffano (Tony Lo Bianco) depois que seu capanga apelidado de O Professor (Alec Baldwin) a ameaça de morte. O primeiro papel de mafioso vivido por James Gandolfini foi o que o levou a encarnar o pai da Família Soprano (1999) na série clássica da HBO, além de um dos jurados no remake 12 Homens e Uma Sentença (1997).
Clint Eastwood dirigiu um dos melhores longas-metragens de sua carreira, aos 94 anos de idade, apesar de estrear direto no Max em razão de sua conhecida posição política a favor do porte de armas ao cidadão comum. Jurado Nº2 (2024) é o filme ideal de tribunal porque todos os membros daquela corte buscam a verdade, incluindo os membros do júri e a promotora de justiça, depois de pairar dúvidas sobre a culpabilidade do réu, James Michael Sythe (Gabriel Basso), acusado de empurrar a namorada, precipício abaixo logo após brigarem feio num bar na calada da noite. Um julgamento bem editado ao mesclar pontos fundamentais no depoimento das testemunhas com o das alegações finais, apresentado pelas partes: tanto da acusação quanto da defesa. Contudo, o cineasta deixa em aberto o destino do réu, já que a consciência do Jurado n.º2 (Nicholas Hoult) e da promotora Faith Killebrew (Toni Collette) pesou na hora de dormir.