Adolescência: veja outros 12 filmes e séries para discutir sobre bullying
Elogiada produção da Netflix está repercutindo entre pais e responsáveis por abordar temas atuais sobre relações intergeracionais e o perigo da exposição dos jovens na internet
Freepik - https://br.freepik.com/fotos-gratis/garota-triste-vista-frontal-sendo-intimidada-por-colegas_32519220.htm#fromView=search&page=1&position=5&uuid=2f9eaef7-d1c8-45b7-8cfd-829da5d3ce15&query=bullying
“Adolescência”, série de quatro episódios que estreou na Netflix em 13 de março, está fazendo sucesso no streaming e repercutindo entre pais e responsáveis por crianças e adolescentes em idade escolar. A produção tem sido bastante elogiada pela crítica especializada, além de chamar atenção do público para os perigos – nem sempre percebidos – da exposição sem filtro das novas gerações à internet e comunidades online.
Segundo Stephen Graham – um dos criadores da série e ator que dá vida ao pai do protagonista - a trama foi inspirada em casos reais de violência em escolas na Inglaterra, e que têm se tornado comuns em diversos países. Logo de cara, “Adolescência” mostra uma família comum sendo surpreendida e tendo a casa invadida pela polícia, que está à procura de Jamie (Owen Cooper), um adolescente de 13 anos acusado de matar uma colega de classe.
A partir daí, a série foca na investigação dos motivos do crime, além de mostrar como o acontecimento impacta a vida dos envolvidos: os pais que acreditavam que o filho era um “bom menino”, a polícia, a psicóloga do garoto e a comunidade escolar em luto e chocada pela tragédia.
DO QUE TRATA A SÉRIE?
Consequências do bullying: “Adolescência” explora tanto o bullying presencial quanto o virtual, destacando seus impactos emocionais e sociais nos adolescentes. A série evidencia como a violência psicológica pode se perpetuar por meio das redes sociais, tornando-se um problema contínuo e devastador que extrapola o ambiente escolar.
Na opinião da diretora pedagógica do Brazilian International School (BIS), de São Paulo, Audrey Taguti, o bullying não é apenas um conflito entre crianças ou adolescentes, mas um reflexo de padrões culturais que historicamente normalizam a agressividade como ferramenta de status e pertencimento.
“Quando isso se transfere para o ambiente digital, o dano psicológico se intensifica, pois a exposição é permanente e 24 horas por dia. Por isso, as escolas precisam avançar na formação de alunos como agentes ativos na construção de um ambiente seguro, e não apenas reagir quando o problema já está instalado", opina a educadora.
Influência digital: a trama aborda como determinados influenciadores e comunidades online que podem reforçar comportamentos misóginos e violentos entre os jovens, destacando conceitos como os "Incels" e a radicalização de meninos expostos a discursos de ódio na internet.
Na visão da psicóloga, pedagoga e gestora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri, Ana Cláudia Favano, as redes sociais têm sido um terreno fértil para a propagação de ideias e comportamentos violentos entre adolescentes.
“A questão que vale discussão não é apenas sobre o conteúdo acessado, mas a ausência de referências saudáveis que possam contrabalançar essas influências. Precisamos ensinar os jovens a fazer uma leitura crítica do que consomem digitalmente e a entender como essas narrativas moldam sua visão de mundo e suas relações interpessoais", opina.
Falta de comunicação entre gerações: a narrativa mostra ainda a dificuldade de diálogo entre pais, professores e adolescentes, evidenciando o abismo geracional que impede a compreensão mútua. A série sugere que essa desconexão pode contribuir para o isolamento dos jovens e o agravamento de problemas como ansiedade, depressão e violência.
A diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, Fatima Lopes, lembra que o distanciamento entre adolescentes e adultos não é um fenômeno novo, e foi visto pelas gerações anteriores que nos precederam.
“O que temos visto é que a tecnologia aprofundou essa desconexão ao criar um universo paralelo de linguagem e códigos inacessíveis para os pais e educadores. Não basta dizer que ‘os jovens não conversam mais’, é preciso reconhecer que muitas vezes eles podem não se sentirem ouvidos de verdade. O desafio da educação hoje não é apenas ensinar conteúdos, mas construir pontes de diálogo que permitam entender as angústias e desafios dessa geração", pontua.
Além da história carregada de discussões atuais como bullying, machismo e a falta de diálogo entre as gerações, “Adolescência” tem chamado atenção pelo primor técnico aliado a boas interpretações do elenco.
Todos os quatro episódios, que têm cerca de uma hora de duração, foram gravados em plano sequência (a câmera começa a gravar direto e só para no final do episódio, sem cortes) durante uma semana, o que exigiu horas de ensaio dos atores envolvidos. Para que tudo saísse perfeito na tela, todos os episódios foram repetidos pela equipe de filmagens à exaustão, do começo ao fim. O último capítulo, por exemplo, é fruto da 16º gravação, informou a Netflix. Por isso, a produção vem sendo cotada para ser um dos destaques no Emmy Award, o “Oscar da televisão”.
ALÉM DE “ADOLESCÊNCIA”: OUTROS TÍTULOS QUE VALEM A PENA
Para aprofundar a discussão sobre os temas discutidos em “Adolescência”, as educadoras listaram outras sugestões de obras audiovisuais que podem ajudar pais, responsáveis e profissionais da educação a entender e lidar melhor com os assuntos retratados na série.
As especialistas:
Ana Claudia Favano é gestora da Escola Internacional de Alphaville. É psicóloga; pedagoga; educadora parental pela Positive Discipline Association/PDA, dos Estados Unidos; e certificada em Strength Coach pela Gallup. Especialista em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva e Convivência Ética. Dedicada à leitura e interessada por questões morais, éticas, políticas, e mobiliza grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.
Audrey Taguti acumula 41 anos de experiência e trabalho em Educação. É formada em Magistério e Pedagogia, possui pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo e é especialista em Alfabetização. É diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP desde a fundação do colégio, em 2000.
Fatima Lopes é pós-graduada em Gestão Escolar, especialista em Bilinguismo e apaixonada pela área da Educação. De sua primeira formação, em Enfermagem, ela mantém o dom de cuidar das pessoas: gosta de se relacionar com alunos, pais e colegas, promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo e acolhedor. Diz ter como missão contribuir para a formação integral dos estudantes, formando cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro. É fundadora e diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo.
Segundo Stephen Graham – um dos criadores da série e ator que dá vida ao pai do protagonista - a trama foi inspirada em casos reais de violência em escolas na Inglaterra, e que têm se tornado comuns em diversos países. Logo de cara, “Adolescência” mostra uma família comum sendo surpreendida e tendo a casa invadida pela polícia, que está à procura de Jamie (Owen Cooper), um adolescente de 13 anos acusado de matar uma colega de classe.
A partir daí, a série foca na investigação dos motivos do crime, além de mostrar como o acontecimento impacta a vida dos envolvidos: os pais que acreditavam que o filho era um “bom menino”, a polícia, a psicóloga do garoto e a comunidade escolar em luto e chocada pela tragédia.
DO QUE TRATA A SÉRIE?
Consequências do bullying: “Adolescência” explora tanto o bullying presencial quanto o virtual, destacando seus impactos emocionais e sociais nos adolescentes. A série evidencia como a violência psicológica pode se perpetuar por meio das redes sociais, tornando-se um problema contínuo e devastador que extrapola o ambiente escolar.
Na opinião da diretora pedagógica do Brazilian International School (BIS), de São Paulo, Audrey Taguti, o bullying não é apenas um conflito entre crianças ou adolescentes, mas um reflexo de padrões culturais que historicamente normalizam a agressividade como ferramenta de status e pertencimento.
“Quando isso se transfere para o ambiente digital, o dano psicológico se intensifica, pois a exposição é permanente e 24 horas por dia. Por isso, as escolas precisam avançar na formação de alunos como agentes ativos na construção de um ambiente seguro, e não apenas reagir quando o problema já está instalado", opina a educadora.
Influência digital: a trama aborda como determinados influenciadores e comunidades online que podem reforçar comportamentos misóginos e violentos entre os jovens, destacando conceitos como os "Incels" e a radicalização de meninos expostos a discursos de ódio na internet.
Na visão da psicóloga, pedagoga e gestora da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri, Ana Cláudia Favano, as redes sociais têm sido um terreno fértil para a propagação de ideias e comportamentos violentos entre adolescentes.
“A questão que vale discussão não é apenas sobre o conteúdo acessado, mas a ausência de referências saudáveis que possam contrabalançar essas influências. Precisamos ensinar os jovens a fazer uma leitura crítica do que consomem digitalmente e a entender como essas narrativas moldam sua visão de mundo e suas relações interpessoais", opina.
Falta de comunicação entre gerações: a narrativa mostra ainda a dificuldade de diálogo entre pais, professores e adolescentes, evidenciando o abismo geracional que impede a compreensão mútua. A série sugere que essa desconexão pode contribuir para o isolamento dos jovens e o agravamento de problemas como ansiedade, depressão e violência.
A diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, Fatima Lopes, lembra que o distanciamento entre adolescentes e adultos não é um fenômeno novo, e foi visto pelas gerações anteriores que nos precederam.
“O que temos visto é que a tecnologia aprofundou essa desconexão ao criar um universo paralelo de linguagem e códigos inacessíveis para os pais e educadores. Não basta dizer que ‘os jovens não conversam mais’, é preciso reconhecer que muitas vezes eles podem não se sentirem ouvidos de verdade. O desafio da educação hoje não é apenas ensinar conteúdos, mas construir pontes de diálogo que permitam entender as angústias e desafios dessa geração", pontua.
Além da história carregada de discussões atuais como bullying, machismo e a falta de diálogo entre as gerações, “Adolescência” tem chamado atenção pelo primor técnico aliado a boas interpretações do elenco.
Todos os quatro episódios, que têm cerca de uma hora de duração, foram gravados em plano sequência (a câmera começa a gravar direto e só para no final do episódio, sem cortes) durante uma semana, o que exigiu horas de ensaio dos atores envolvidos. Para que tudo saísse perfeito na tela, todos os episódios foram repetidos pela equipe de filmagens à exaustão, do começo ao fim. O último capítulo, por exemplo, é fruto da 16º gravação, informou a Netflix. Por isso, a produção vem sendo cotada para ser um dos destaques no Emmy Award, o “Oscar da televisão”.
ALÉM DE “ADOLESCÊNCIA”: OUTROS TÍTULOS QUE VALEM A PENA
Para aprofundar a discussão sobre os temas discutidos em “Adolescência”, as educadoras listaram outras sugestões de obras audiovisuais que podem ajudar pais, responsáveis e profissionais da educação a entender e lidar melhor com os assuntos retratados na série.
- Precisamos Falar Sobre o Kevin
- Defendendo Jacob
- 13 Reasons Why
- Infância Interrompida
- Clube dos Cinco
- As vantagens de ser invisível
- Confissões de uma garota excluída
- A Mentira
- Simplesmente acontece
- Meninas Malvadas
- Glee
- Com amor, Simon
As especialistas:
Ana Claudia Favano é gestora da Escola Internacional de Alphaville. É psicóloga; pedagoga; educadora parental pela Positive Discipline Association/PDA, dos Estados Unidos; e certificada em Strength Coach pela Gallup. Especialista em Psicologia da Moralidade, Psicologia Positiva, Ciência do Bem-Estar e Autorrealização, Educação Emocional Positiva e Convivência Ética. Dedicada à leitura e interessada por questões morais, éticas, políticas, e mobiliza grande parte de sua energia para contribuir com a formação de gerações comprometidas e responsáveis.
Audrey Taguti acumula 41 anos de experiência e trabalho em Educação. É formada em Magistério e Pedagogia, possui pós-graduações em Psicopedagogia e Bilinguismo e é especialista em Alfabetização. É diretora pedagógica do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP desde a fundação do colégio, em 2000.
Fatima Lopes é pós-graduada em Gestão Escolar, especialista em Bilinguismo e apaixonada pela área da Educação. De sua primeira formação, em Enfermagem, ela mantém o dom de cuidar das pessoas: gosta de se relacionar com alunos, pais e colegas, promovendo um ambiente de aprendizado colaborativo e acolhedor. Diz ter como missão contribuir para a formação integral dos estudantes, formando cidadãos mais conscientes e preparados para o futuro. É fundadora e diretora geral da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo.
Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a): VAGNER ADACIANO DE LIMA
vagneradacianodelima@gmail.com
FONTE: FSB Comunicação